Terça de Lei: O que é União Estável?

Vamos lá para mais uma terça COM LEI? Hoje trouxe um assunto importantíssimo e que sempre gera dúvidas.

A união estável é a relação de convivência entre duas pessoas, continua e duradoura que é estabelecida com o objetivo de constituição familiar. Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário o decurso de tempo para que seja caracterizada a união estável, ou seja, pode ser 1 ano,4 anos, 10, 20.. o que importa é que a relação seja continua e que dure. Para a lei brasileira, um casal que tenha convivência contínua, pública e duradoura e se une com o objetivo de constituir família – o que não significa necessariamente querer ter filhos – vive em uma união estável. O entendimento é o mesmo tanto para casais formados por um homem e uma mulher quanto pelos pares homoafetivos. Pegou?

O que determina que a relação é uma União Estável?   Os requisitos objetivos para a constituição da união estável são:

A notoriedade: Basta que os companheiros tratem-se socialmente como marido e mulher, revelando sua intenção de constituir família. O elemento objetivo, exterior, visível, que se percebe no meio social, que se demonstra inequivocamente aos olhos de todos, é a convivência pública, vale dizer, notória, ostensiva, dos protagonistas do relacionamento afetivo, que não pode ser escondido, clandestino, mantido em segredo.

A estabilidade ou duração prolongada: que não exige um tempo mínimo de convivência, mas sim o suficiente para que se reconheça a estabilidade da relação (que pode ser de meses ou de anos, desde que nesse período fique comprovada a intenção de constituir uma família).  Embora muita gente ache que haja um tempo minimo de 2 anos, a lei brasileira não fixa tempo de convivência, mas a estabilidade é pressuposto fundamental, para que a união estável se estabeleça.

A continuidade: é necessária a existência de continuidade no relacionamento, sem interrupções, considerando que a instabilidade causada por constantes rupturas no relacionamento pode provocar insegurança jurídica. Dessa forma, a convivência continua significa ser firme, sem hiatos ou interrupções marcantes. Requer-se, então, estabilidade.

A inexistência de impedimentos matrimoniais: estão proibidas as uniões estáveis quando existirem os impedimentos matrimoniais, considerando que “quem não tem legitimação para casar, não tem legitimação para criar entidade familiar pela convivência”. A única exceção é em relação às pessoas casadas, separadas de fato ou judicialmente que, ainda que impedidas de contrair matrimônio, poderão conviver em união estável.

A relação monogâmica:  é exigida nos relacionamentos em decorrência do princípio da monogamia que norteia o nosso ordenamento jurídico pátrio. Nesse sentido, não se admite a concomitância de relacionamentos, visto que tal possibilidade feriria o princípio monogâmico, e consequentemente, o dever de lealdade do casal, uma vez que mencionada conduta está eivada de infidelidade.

A diversidade de sexos: é considerada requisito para a caracterização da união estável. Apesar do texto constitucional restringir que família somente existe entre homem e mulher, atualmente é reconhecida a união estável homoafetiva de caráter familiar, onde já é possível a sua devida formalização através da declaração de união estável ou pelo casamento civil.

A inexistência de coabitação não desconfigura a união estável, já que esse elemento é prescindível, por não ser pressuposto exigido no dispositivo legal. O entendimento pacífico dos Tribunais caminha no sentido de que a coabitação é facultativa nos relacionamentos, não sendo obrigatória para caracterizar união estável. Isso é uma dúvida que muitos tem, mas o entendimento já é pacificado na doutrina e jurisprudência nacional. Logo, NÃO é preciso que o casal more na mesma residência para que se configure união estável.

Ao lado desses elementos objetivos, vem o elemento subjetivo, interno, moral: a intenção de constituir família, a convicção de que se está criando uma entidade familiar, assumindo um verdadeiro e firme compromisso, com direitos e deveres pessoais e patrimoniais semelhantes aos que decorrem do casamento, o que tem de ser aferido e observado em cada caso concreto, verificados os fatos, analisados o comportamento, as atitudes, consideradas e avaliadas as circunstâncias. Esse é um importante fator para distinguir as uniões estáveis dos namoros, que também se apresenta informalmente no meio social.

Isso é muito importante de ser dizer pois nos tempos atuais é comum que os namorados durmam, frequentem e coabitem as respectivas casas, que viajem juntos, demonstrem publicamente o seu afeto um para com o outro, etc e isso pode se assemelhar muito a uma união estável. Parece, mas não é! Pois falta um elemento imprescindível da entidade familiar, o elemento interior, anímico, subjetivo: ainda que o relacionamento seja prolongado, consolidado, e por isso tem sido chamado de “namoro qualificado”, os namorados por mais profundo que seja o envolvimento deles, não desejam e não querem – ou ainda não querem – constituir uma família, estabelecer uma entidade familiar.

Esse é um assunto muito complexo, eu precisaria de um post GIGANTE para falar sobre tudo. Trouxe aqui as informações básicas que muitas pessoas têm dúvida acerca do instituto jurídico. O importante é ter em mente que atualmente é tida como entidade familiar, haja vista que  esta recebeu a proteção total da nossa Constituição. 

Quem tiver duvidas, deixa nos comentários que terei o maior prazer em responder!

Um beijo e até o próximo post!