Dicas de Aplicativo: Moda Livre

Você é o que você… Veste!  Descobrir quais marcas não estão envolvidas com casos de trabalho análogo à escravidão agora ficou mais fácil com o aplicativo Moda Livre, desenvolvido pela ONG Repórter Brasil.

Para cortar custos e se eximir da responsabilidade de arcar com direitos trabalhistas, é bastante comum que marcas populares e grifes renomadas terceirizem a sua produção de roupas. Infelizmente, a falta de controle sobre os fornecedores abre portas para a escravidão contemporânea e outras infrações trabalhistas nas oficinas de costura. Um sistema que tem como vítimas mais comuns migrantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica de países sul-americanos, que chegam aqui à procura de melhores condições de vida.

A ONG CRIADORA

O Réporter Brasil é uma organização não governamental criada em 2001 por jornalistas, cientistas sociais e educadores. Ela apura e dissemina informações para fomentar a reflexão e a ação contra a violação aos direitos dos trabalhadores do campo. É uma das principais fontes de dados sobre trabalho escravo no país.

O site reporterbrasil.org.br é tido como referência não só no Brasil, mas também internacionalmente, sendo muito comum o intercâmbio de informações com jornalistas de alguns dos principais veículos de imprensa do planeta.

Com a estratégia de distribuição gratuita de conteúdo e licença aberta para livre reprodução, a equipe consegue ampliar o alcance de denúncias e colocar na agenda da sociedade brasileira temas de fundamental importância tais como tráfico de pessoas, trabalho infantil, superexploração de trabalho em frigoríficos, no setor têxtil, impactos ambientais do uso de veneno, entre outros.

Desde o começo, a missão da Repórter Brasil é identificar e tornar público casos de violação aos direitos socioambientais e trabalhistas de forma a mobilizar lideranças políticas, sociais e econômicas para efetivar os direitos humanos no Brasil.

Entendendo a cadeia produtiva

O aplicativo entende que as empresas devem ter responsabilidade em toda a sua cadeia produtiva. Então, se ela contrata um fornecedor e terceiriza a produção de roupa, ela também é responsável por isso. Esse é o entendimento do Ministério Público e do Ministério do Trabalho.

Escolher a próxima roupa que estará em seu guarda-roupa é uma ferramenta mais poderosa do que você pensa. Afinal, caso os consumidores não deem mais dinheiro para marcas que exploram trabalhadores, aumentam as chances de toda a cadeia de produção da moda sofrer transformações positivas.

Com essas informações valiosas na palma da mão fica muito mais fácil escolher de quem vamos comprar. Então, antes de entrar numa loja, que tal pensar no tipo de empresa que queremos apoiar?

Moda Livre: O app que denuncia

O aplicativo para celular “Moda Livre”, criado pela organização, incentiva o consumo consciente de roupas. A ferramenta pode ser baixada em celulares com sistemas iOS e Android, e traz atualmente um catálogo com mais de 77 grifes e varejistas da moda apontados de acordo com o comportamento de cada uma delas em relação ao respeito a direitos trabalhistas. Importante salientar que todas as informações são coletadas junto ao Ministério do Trabalho.

1- Caso a empresa tenha algum mecanismos de acompanhamento da cadeia produtiva e não tem histórico de uso de mão de obra escrava, é sinalizada em verde.

2- Se ela monitora seus fornecedores, mas de forma insuficiente ou se já foi flagrada anteriormente com mão de obra escrava, é sinalizada em amarelo.

3- Se a marca não controla as condições laborais das fábricas, já foi autuada por trabalho escravo ou se negou a responder o questionário, é sinalizada em vermelho.

Gente, pasmem! Grandes marcas como, Colcci, Centauro, Demillus e Triton estão com o sinal vermelho, ou seja, são muito mal avaliadas. O interessante é que dentre todas as marcas disponíveis, é possível saber quais foram os crimes cometidos por elas, qual o nível da transparência na informação das condições de seus trabalhadores, qual a qualidade do monitoramento de sua rede de fornecedores, e se não há nenhum flagrante de mão de obra escrava em seu histórico. Sensacional ou não?

O aplicativo não recomenda que o consumidor compre ou deixe de comprar roupas de determinada marca, apenas fornece informações para que faça a escolha de forma consciente. E isso é o mais bacana! O consumo consciente hoje é um assunto que gera muita reflexão, principalmente pelo fato da celeridade das relações de consumo. Como consumidores, cabe a nós a escolha: vamos consumir diretamente de marcas que ignoram os direitos humanos? Vale o questionamento antes de comprar aquela roupa bacana nas grandes cadeias.

Agora não temos mais como desculpa o fato de ter que averiguar no google as marcas que não estão comprometidas com esse tipo de crime: o aplicativo faz todo trabalho pra gente e aponta quem são os mocinhos e os vilões da indústria da moda.

Ferramentas como o app Moda Livre são importantes, pois nos permite abrir os olhos e a entender que ao comprar uma peça de roupa vale levar em conta muito mais do que simplesmente o preço. A sua nova blusa de R$10 pode estar custando caro para quem a produz. Pense nisso.

O app está disponível gratuitamente para iPhone e Android!

Espero que tenham gostado!

Beijos