13 Reasons Why e o Mundo Real

Quem aqui não é viciado numa série?  Pois bem. Hoje vim falar sobre uma das séries originais da Netflix que gerou grande discussão, principalmente diante do seu tema central: o suicídio. Não se trata de uma série qualquer, mas de 13 Reasons Why.

Toda a trama da série acontece quando  Clay Jensen (um adolescente que recebeu uma caixa de sapatos com 13 fitas cassete) ao rodar as fitas se choca ao ouvir a voz de Hannah Backer, sua amiga e paixão secreta que havia cometido suícidio semanas antes! Mas não pára por aí, a grande  surpresa acontece porque Hannah tirou a própria vida poucas semanas antes e listou os 13 motivos que lhe levaram a tomar essa decisão drástica, sendo que seu último desejo era que todos os envolvidos ouvissem as fitas.

Mas quais são as consequências jurídicas para casos como esse? Sim, pois os motivos que levaram Hannah a fazer o que fez são hoje, mais comum do que vocês imaginam, motivos  esses que  a série faz questão de mostrar de maneira bastante pesada e instiga o debate sobre assuntos polêmicos, especialmente, entre os adolescentes. Nós podemos discutir aqui o bullying, o abuso físico e psicológico, machismo , até chegarmos no estupro. 

Quando assisti a série, confesso que não estava em um dos meus melhores momentos de vida, e por isso não indico a  série para quem esteja passando por um período complicado emocional, sofre com distúrbios mentais, tenha histórico de depressão ou está se tratando atualmente. Li muito a respeito e de acordo com especialistas, uma das principais razões das tentativas de suicídios é a depressão. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos ocorre um suicídio no planeta. Por ano, são mais de 800 mil pessoas que atentam contra a própria vida, esses números são alarmantes!

1. Bullying

O bullying é um dos vilões da adolescência, que envolve quase 30% dos estudantes brasileiros – seja praticando ou sofrendo a violência caracterizada por agressões verbais ou físicas, intencionais, aplicadas repetidamente contra uma pessoa ou um grupo. A gozação ou “brincadeiras maldosas” se tratam de bullying, que é uma condição de agressões físicas ou verbais de forma repetitiva e intencional causada por um ou mais estudantes a um ou mais colegas. De acordo com pesquisa do Brasil Escola de 2010, o bullying acontece em instituições de ensino público e particular, sobretudo, na 5ª e 6ª séries. Um estudo da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) apontou que mais de 40% das vítimas nunca buscou ajuda ou falou sobre a situação nem mesmo com amigos. Além disso, esses atos agridem os princípios da Constituição Federal que pregam o respeito à dignidade da pessoa e também o Código Civil, que estabelece que qualquer ação ilícita que gere dano a terceiro desencadeia a necessidade de indenização. O Bullying pode acontecer por meio de ataques físicos, insultos pessoais, comentários sistemáticos e apelidos pejorativos, ameaças por quaisquer meios, grafites depreciativos, expressões preconceituosas, isolamento social consciente e premeditado. Lembrando que se for praticado pela rede mundial de computadores, também é bullying (cyberbullying). 

Em 2015 foi instituído, por meio da lei 13.185, o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) no Brasil. Segundo essa lei, considera-se bullying “todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas

2. Divulgação de imagens íntimas sem consentimento 

A exposição de fotos intimas na internet sem a devida autorização também é um dos foco da série. No Brasil, o personagem que fez a divulgação responderia por difamação (imputar fato ofensivo à reputação) ou injúria (ofender a dignidade ou decoro), como estabelecem os artigos 139 e 140 do Código Penal. No entanto, a situação do autor da divulgação é ainda mais grave, já que se trata de uma adolescente de 17 anos. Neste caso, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê como crime grave a divulgação de imagens de crianças ou adolescentes em situação de sexo explicito ou pornográfica.Na esfera cível isso significa que  o autor poderia arcar com uma indenização por danos morais.

3. Violência sexual e estupro 

A situação que acaba com a resistência de Hannah tem relação com um crime considerado hediondo no Brasil e previsto no artigo 213 do Código Penal. A definição de estupro é constranger alguém, mediante violência ou ameaça, a ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso. Hoje em dia, a pena no país é de 6 a 10 anos de prisão, subindo para 8 a 12 anos quando ocorre lesão corporal ou se a vítima tem entre 14 e 18 anos de idade, como o caso retratado em 13 Reasons Why. É essencial destacar que a Lei 12.845/2013 exige que o Sistema Único de Saúde ofereça atendimento de emergência para as vítimas deste crime hediondo, contando com tratamento para lesões e todos os exames necessários. 

 Mas talvez você esteja se perguntando o que tudo isso tem haver com direito. Lá vai! A Constituição Federativa do Brasil trás o princípio da dignidade da pessoa humana e sua definição contém uma abrangência ampla de modo a ser compreendida em seus diversos aspectos.

 

NOTEM: É possível denunciar esses e outros crimes em delegacias especializadas para atendimento de crianças, adolescentes e mulheres ou recorrer ao Disque Direitos Humanos – Disque 100, um serviço de utilidade pública da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). O Disque Direitos Humanos tem o objetivo de ajudar as pessoas vistas em alta condição de vulnerabilidade, especialmente, crianças e adolescentes, idosos, deficientes, moradores de rua, índios e pessoas em privação de liberdade. Mas, se a sua vontade for apenas conversar sem julgamentos, de maneira totalmente anônima, gratuita e discreta entre em contato com Centro de Valorização da Vida (CVV) por meio de telefone, chat, e-mail, Skype e pessoalmente a qualquer hora do dia ou da noite.

A boa notícia é que a busca pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) aumentou em 445%. O CVV é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, que presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo!  

O deboche comum em piadas de mal gosto, a ofensa presente nos comentários perversos e o olhar de desprezo machucam. Atos irrefletidos podem ter consequências penais. Não se deve ser indiferente ao outro tratando-o como coisa, visto que ele, assim como você, é humano e possui sentimentos. Ajude, elogie, aconselhe, dê uma palavra amiga. Às vezes uma simples frase com teor de bondade dá sentido a vida de alguém! 

Espero que tenham gostado do post de hoje!

 

 

 

10 comentários em “13 Reasons Why e o Mundo Real

  1. ola tudo bem ? não custumo a olhar series , mais devido a sua resenha e o assunto que esta sendo bastante debatido ,o buling , me uinterresei bastante em olhar. bjsss

  2. Você trouxe um post super importante, o bullying preocupam muitos pais e familiares, isso é antigo, mas nunca teve tantos jovens que tiraram a vida ou foram levados por aqueles que vivem para fazer crueldade pessoas ruins que desenham com tanta malícia que cresce todos os dias. Devemos conversar muito sobre esse assunto, obrigado por compartilhar, bjs.

  3. Bom dia, como vai? Gostei bastante do tema abordado, pois você inclui dois temas bastante s comuns , o da serie com o do bullying que infelizmente é uma preocupação que devemos ter com nossos filhos. Confesso que nunca assistir series com esse tema, mas filmes já assistir vários ate alguns baseados em vida real. beijos e ótimo post.

    1. Importante ficar atenta ao comportamentos dos filhos, principalmente na fase de adolescência, e com as redes sociais a coisa piora! Espero que tenha ajudado! Um beijo

  4. mulher foi uma serie que realmente me ganhou viu
    ela fala de temas que querendo ou nao acontecem muito hoje em dia a serie aborda de um jeito muito real as coisas mais eu nao aconselho a pessoas que estao passando por alguns momentos dificil assistir pois as vezes pode ser alguns gatilhos para a cabeça

  5. Sinto que houve um furor na época do lançamento da série, mas que já vejo morrer. E com ele toda a empatia que vi na época. Acho que empatia (ou a falta dela) é o que define a situação da Hanna na série. Junte a isso uma crise financeira familiar e os hormônios da adolescência.
    Gostei do jeito que o tema foi abordado numa forma de comunicação (série) tão presente na rotina moderna. Espero que os sentimentos que ela despertou não morram com o passar do tempo! beijos 😘

    http://www.iinspiradas.com

  6. Oi! Muito bom mesmo o seu post, eu mesmo não assisti a série, mas vejo muitas pessoas comentando sobre ela, os temas abordados são temas atuais e cresce sem que a gente perceba, beijos.

  7. Nossa, que post essencial! A gente vai falando as coisas, ofendendo as pessoas e acreditando que nunca seremos penalizados por nada, porque não tem ninguém olhando. Vivemos em um sociedade e temos regras a seguir. E a lei tá aí pra isso, prezar pelo bem estar de todos ou pelo menos tentar.
    Arrasou Tams! <3

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